terça-feira, agosto 19, 2003

A civilização

As férias, aqui em Trás-os-Montes, decidiram prolongar-se por mais uns dias. Nada a obstar. Ao alcance da mão, tenho: a imaculada paisagem da região, jornais, uma parcela satisfatória da minha humilde bibblioteca, ignorados ribeiros de água fresca, restaurantes sublimes. E música. Hoje, por exemplo, enquanto tomava um café matinal, a minha mulher lembrou-se do melhor disco do mundo: um qualquer «best of» de Kurt Weill, na voz da esposa Lotte Lenya. Embora a tese seja discutível, diversas razões impediram talvez Weill de aceder com inteira propriedade ao restrito clube dos clássicos, a que pertencem Porter, Gershwin, Berlin, Arlen e até Rodgers. Gosto de todos, com nuances, tanto quanto é humanamente viável gostar. Mas Weill, sobretudo no algo menosprezado período americano, tem para mim um brilhozinho especial. «September Song», já se sabe, é standard absoluto. E «Lost in the Stars» anda lá perto. Mas «It Never Was You», desde que na voz da senhora LL, é a mais bela canção popular que existe. Foi tocada hoje, em Vimioso, nos confins da nacionalidade. E quase juro que o milhafre que planava ali fora se aproximou para ouvir melhor.