segunda-feira, agosto 11, 2003

Como disse?

Leio na «Pública» a entrevista a Carlos Pinto Coelho, que cada vez se leva mais a sério. Não será coincidência que num país com 48% de analfabetos funcionais (reclamações à ONU, s.f.f.), o fim de um mero magazine cultural suscite tanto ruído. Excepções à parte, que as há em tudo, a «cultura» que o «Acontece» encontrou e fomentou é a cultura dos pasmados, donos de uma visão acrítica e reverente. Para a maioria da «imensa minoria» que CPC se orgulha de representar, livros, peças e pinturas, sejam quais forem, são por definição alvo de elaborada vénia. O que é normal. Sem acesso ao conhecimento mínimo capaz de permitir comparações de facto, não espanta que o espectador médio do «Acontece» engula Manuel Alegre, ou a última instalação daquele jovem artista de Campolide. Quem não engole é gente de outro campeonato, como se diz em dialecto da bola. Eu, pobre de mim, sei poucochinho. Mas, ocasional e felizmente, privo com pessoas que percebem alguma coisa sobre alguma coisa, e que nunca, salvo por acidente, passaram os olhos pelo «Acontece». O Desejo Casar já referira experiência semelhante. Acrescento apenas que eu, lá está, até via quando calhava, e sinceramente gostava daquele senhor idoso que se encrespava todo ante os deslizes gramaticais. Dele, terei saudades.