quarta-feira, agosto 06, 2003

Costumes & tradições

Não sendo lisboeta nem explorador do proletariado, não possuo monte alentejano. Antes tenho uma casa nos arredores (?) de Vimioso, confins do Nordeste. A casa situa-se quase no topo de um outeiro, pelo que sem esforço se avistam as dezenas de suaves montanhas que separam Vimioso de Vinhais, por exemplo, ou da Lagoa de Sanabria, via Bragança. O lugar é lindo e o proverbial silêncio apenas se interrompe uma ou duas vezes por ano, quando a fábrica de foguetes defronte ao meu alpendre resolve explodir. A distância, talvez um quilómetro, é segura, mas nunca evita a sensação de que um Tir desgovernado nos entra pela sala adentro. Ainda há meses, este avançado centro de pirotecnia abriu todos os noticiários, mediante cinco vítimas mortais, que se somam a um considerável rol. Suponho que a Câmara local leva tais eventos à conta de propaganda turística: as vítimas serão assim os mártires da causa e os incêndios resultantes, até ver ligeiros, um mal menor. O certo é que ninguém encerra a fábrica, que após cada imolação renasce literalmente pronta para outra. Corrijam-me se estiver enganado, mas Vimioso não deve ser uma excepção à regra nacional.