quarta-feira, agosto 13, 2003

Enologia

Ontem, participei num jantar de aniversário. Não vale a pena entrar em pormenores, mas sempre vos digo que o dito se realizou em Leça da Palmeira e que entre os convivas estava um colunista que faria melhor se trabalhasse no site pessoal que nunca mais abre. Acrescento também que o repasto foi marcado por certo entusiasmo descontrolado: Borba puxou Cardeal Reserva, Cardeal puxou Esporão Não Sei Quantos, Esporão puxou Ferreirinha e, a páginas tantas, juro que vi um Barca Velha flutuar sobre a mesa. Nem refiro os conhaques da digestão, mas quando chegou a conta, entrámos em pânico, evidente nos sintomas da praxe: suores frios, decréscimo de salivação, contemplação nostálgica do Visa, etc. Um de nós, controlando a custo a ansiedade, ainda gritou: «Há algum construtor civil na sala? Nenhum? Um empreiteiro sub-contratado? Um sobrinho taxista na Suíça? O José Quitério? Ao menos um jogador da bola sem salários em atraso?» Não havia ninguém, pelo que terminámos a noite internados de urgência, com um diagnóstico de défice agravado e, para alguns, possivelmente crónico.