quinta-feira, agosto 07, 2003

Humm, Channel?

O Miguel Noronha já pegou no assunto pelo lado certo. Mas vale a pena insistir, e a história conta-se depressa. Em duas edições consecutivas do «Público», há duas crónicas dedicadas ao encerramento de uma livraria em Lisboa. Como a livraria se chama Francesa, uma das crónicas é forçosamente de EPC (a outra é de um senhor Rego, que eu não conheço). Em ambos os textos, há o mesmo tom acusatório, apontando o dedo ao Estado francês por permitir semelhante catástrofe. Pelo meio, há ligeiras variações: o sr. Rego, mais pessimista, coitado, resigna-se ao «afunilamento cultural americano que, mais do que globalizante (sic), é estiolante (sic) e redutor». EPC ainda dá sinais de esperança, e deseja «mobilizar esforços para que (a livraria) volte a ser possível». Claro que, como lembra o Intermitente, resta a compra via internet, que afinal facilita a escolha e o conforto, além de que pouparia a EPC uma sempre cansativa mobilização. A chatice é que, por um lado, a Amazon.fr é de origem americana, logo «globalizante», «estiolante» e «redutora». E depois EPC, segundo confessa, tem uma relação erótica com os livros, o que o leva a cheirá-los previamente. Nessas coisas não me meto. Mas quanto ao sr. Rego, nem net nem Francesa: sendo evidente que não sabe escrever português, é duvidoso que consiga ler Bourdieu no original. A menos que também queira cheirar os livros e, em seguida, «rien».