quarta-feira, agosto 27, 2003

Light of my life, fire of my loins

Aí pelos cinquenta anos, Paulo Francis garantia ter perdido a paciência para futebol, atletismo e, de resto, todo e qualquer desporto. Com uma excepção: o ténis feminino, «para ver as calcinhas das garotas». Da primeira vez que li a frase, achei-a uma de três coisas: 1) uma das «boutades» gratuitas do PF; 2) efeito de impotência precoce; 3) um sintoma declarado de Alzheimer, dado que a tenista em voga na época era a Martina Navratilova.
A verdade é que ainda tenho trinta e poucos, mas ontem, numa conversa entre amigos, deixei-me distrair pelo televisor do café, que passava em silêncio um «match» do US Open. De um lado, um destroço com nome castelhano que não vem ao caso; do outro, uma menina chamada Maria Sharapova, russa, parecida com a Gwyneth Paltrow e decerto com idade para nos levar à cadeia enquanto o TIC esfrega um olho. De súbito, lembrei-me da Hingis, da Kournikova e de uma ou duas moçoilas cujo apelido se escapou, comparei o conjunto com o interesse que o Benfica-Lazio de logo me desperta, e realizei: eu concordo com o Francis. Concordo com ele e, digo-o com mais surpresa que pesar, estou a ficar velho. Então é assim?