domingo, agosto 03, 2003

Nem de propósito

Mal critiquei os perigos do compadrio, recebo um post do João Pereira Coutinho, saudando o Homem a Dias. Felizmente, como é habitual no João, nem por instante a isenção cedeu terreno à amizade que nos liga, como aliás se comprova abaixo. Assim é que é bonito.
Aproveito ainda para lembrar que o João está aqui, está a lançar o seu site pessoal, que na altura própria comentarei de modo igualmente objectivo e rigoroso.

Alberto, Alberto:

Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Um blog. Rico serviço. Soube da novidade e
resolvi confirmar. Por minha conta e risco. Deslizei da cama como uma
lagartixa asquerosa. Aproximei-me do computador. Descalcei a chinela e, com
o dedo do pé, liguei o bicho. Dedilhei a morada e esperei. Subitamente -
subitamente, foda-se!, puta que pariu!, ai o caralho!, corno de um raio!,
grandessíssimo cabrão! - tu tens um blog! Tu, o melhor de nós. Tu, o ser
humano mais íntegro, mais culto e mais divertido que conheço. Sim, tu
passarás a escrever. Diariamente. Privadamente. Comunitariamente. Ensinando
aos selvagens o muito que me ensinaste a mim. Com amizade e paciência.
Naqueles jantares breves - quatro horas, cinco horas, seis garrafas - em que
dissertavas sobre Beckett, Garrincha e o belo par da tua prima. [A
propósito: como vai a Teresinha?]
Neste momento inaugural, e em plena construção de site (faz o link, patife,
faz o link), só quero que vás à merda. E que partas uma perna. E que faças
tudo aquilo que é suposto fazeres: com talento e erudição. És a pessoa mais
livre que conheço. E, claro, és o meu melhor amigo. Mas, por favor, não
espalhes estas paneleirices. Ou eu digo à Teresinha.

João Pereira Coutinho