sexta-feira, agosto 22, 2003

Oftalmologia social

Uma destas noites, num pequeno restaurante de Vila Real, a aparelhagem tocava um qualquer "best of" de Amália, «Vou Dar de Beber à Dor», «Barco Negro», etc. O empregado ouviu os comentários da nossa mesa e meteu conversa, com demonstração sonora simultânea e a condizer. De Amália passou-se para Marceneiro, de Paredes para Mariza. Depressa se chegou às raízes celtas da região e discutiu-se June Tabor, e em seguida heráldica, genealogia, literatura, história local. Discutiu-se, é força de expressão: ele ensinava, nós aprendíamos. Eram duas da manhã quando partimos e deixámos o homem, pequeno assalariado do ramo da restauração, cerca de quarenta anos visivelmente candidatos a cargo nenhum. Um cego em terra de reis.