quinta-feira, agosto 28, 2003

A propósito de um post do Irreflexões

Está aqui, está a fazer um ano. Lembro-me do João Pereira Coutinho, em minha casa, dizer que tinha arranjado, com dois amigos, «uma treta engraçada». À forma, chamou-lhe blog; àquele blog, a Coluna Infame, «como o livro do Manzoni». Sendo do João, obviamente fui ver, e embora não me tenha abismado logo com a coisa, passei a raras vezes sair da net sem um clique na CI, que depressa saltou para os Favoritos no tecto do monitor. Aos poucos, habituei-me igualmente à existência de diversas «colunas» nacionais, muitas estranhamente bem escritas para os gastos da paróquia.
Por falta de tempo ou paciência, não me passou pela cabeça criar o «meu» blogue, mesmo que, umas ocasiões, os posts da CI e de outros blogues (como o Contra a Corrente e o Intermitente) me suscitassem algum comentário, via mail. Outras ocasiões, o João sugeria que eu integrasse a própria CI, e já nem sei onde pára a password que nunca usei. A CI, sempre o compreendi, era do João, mas também do Pedro Mexia e do Pedro Lomba. Com o primeiro, tomei um café no Porto, dias antes do fim da CI. Ao Pedro Lomba, nunca o conheci de todo. A CI era um caso deles, não meu.
No máximo, enviei para lá meia dúzia de posts, que foram publicados sem comentários, e que me valeram a nomeação, pelo P. Mexia, de «Infame Honorário», título que não mais abandonou o cabeçalho do meu currículo.
Depois, sabe-se, Pacheco Pereira começou o Abrupto, a CI acabou, e os média transformaram os blogues num fenómeno, talvez um nadinha exagerado. Quando a fervura baixou, acordei uma manhã e decidi que um blogue, como o andebol, não me faria mal nenhum. Sucede que eu escrevo e não jogo andebol. E até ver, não há sinais de contra-indicações. Para mim, desde que o pratico, o blogue é um gosto, um gozo, no limite uma disciplina que arregimenta o que não cabe na página 2 do CM ou noutros eventuais sítios. Quanto ao resto, estou como o Francisco: «nunca pensei muito nisso».