quarta-feira, agosto 20, 2003

Staring contest

É verdade: Jerusalém foi igualmente alvo de um atentado. Vinte mortos, mais ou menos. O trivial. Não ouvi em lado nenhum as ilações da esquerda e não quero ouvir. O ódio justifica-se por si, e as respectivas celebrações não exigem tamanho ruído. Há oito dias, eu e a minha amiga muçulmana, devota da ala xiita, víamos o «telejornal» sozinhos e em silêncio. Após a exploração dos incêndios, surgiu uma breve reportagem sobre um «mártir» que se explodiu perto de Telavive. Entre nós os dois, nem uma palavra. Eu continuei a fitar o televisor, os destroços, os feridos; ela baixou o olhar, procurou uma providencial revista e desatou a folheá-la sem nexo ou culpa. Mas aquela espécie de embaraço ninguém lho tirou. Acreditem: foi uma das vitórias mais repugnantes que já experimentei.