quinta-feira, agosto 07, 2003

Super Mário Bothers

Hoje, enquanto contemplava, aterrado, os novos cartazes da JSD, confirmei uma repugnância imensa pela ideia de «juventude». Mas, ao mesmo tempo, reparo: também não sei o que é a propagada sabedoria da idade. Vejam o exemplo do dr. Soares, Mário. A criatura gastou a primeira metade da sua vida a combater a ditadura de Salazar, e ocupou o início da segunda metade a livrar-nos da ditadura comunista. Graças a ele, e a uns poucos mais, devemos a democracia que temos, fraquinha mas muito nossa.
Por estas e por outras, custa vê-lo entrar na velhice. Em nome de feitos idos, uma pessoa ainda aturou a tonta candidatura à presidência do PE, a amizade com Arafat e criminosos afins, os insultos infantis a Bush. Mas quando o dr. Soares baba ódio público sobre o ministro que lhe desocupou a esposa, o nível desce à sub-cave da tasca.
O homem tem filhos, santo Deus: gente presumivelmente lúcida que devia aconselhar o patriarca a um retiro providencial. Apesar da má fama, há por aí excelentes lares de idosos, com pessoal competente, prestimoso. Não são baratos, mas a Fundação cobre. E dava jeito que as memórias que guardamos do dr. Soares, democrata incólume, não fossem bombardeadas, dia após dia, pelo próprio.