terça-feira, agosto 26, 2003

Tortura a metro

Leio no «Público» que o «barulho das obras do Metro do Porto enfurece moradores da Baixa». Coitados: depois das obras, as melhorias serão poucas. Neste exacto momento, vejo pela janela do meu escritório, em Matosinhos, um exemplar do dito «metro». Ao fazer a curva, o infeliz chia que mete dó. De vez em quando, uma voz anuncia à comunidade envolvente a chegada do veículo x à paragem y, pela linha z e com destino a w, como se houvesse escolha. Nos intervalos, a mesma altíssima voz ordena, por razões que prefiro ignorar, «Retire o seu bilhete, se faz favor.»
E não é tudo. Em qualquer cidade convencional, o metropolitano é um sistema de transporte (quase sempre) subterrâneo, rápido e disseminado. Disto, o «metro» do Porto herdou o nome. No resto, é «de superfície», move-se mais devagar do que o dr. Soares em Nafarros («metro» poderia ser uma apropriada alusão à velocidade horária da coisa) e cobre apenas uma ínfima porção da área urbana que era suposto servir. Como esperado bónus, cometeu a proeza de agravar o tráfego da zona, já de si um sério rival do de Hong Kong.
Vantagens? Confesso. Andei uma vez, dia quente, hora de ponta. E, juro, beneficiei de uma carruagem fresca e rigorosamente vazia. Esse grau de civilidade Londres ou Nova Iorque ainda não alcançaram. Mas só esse.