quarta-feira, setembro 03, 2003

Análise de conteúdo

Nem de propósito, retomo um post que o Pedro escreveu há uns tempos, mais ou menos subordinado ao tema «O Uso de Cifras em Fernando Rosas: Contributos para um Esclarecimento». É que, no artigo de hoje, no Público, o emérito antifascista regressou igualmente à linguagem codificada, por razões desconhecidas mas que só nos podem inquietar.
Concretizemos. Em três momentos do citado artigo, o professor utiliza a expressão «\uF8E7», em referência a outros tantos sujeitos (gramaticais):

1. «A condenação que se deve fazer dos atentados contra o pessoal da ONU \uF8E7 (...)»;
2. «(...) da injustiça da ocupação americana \uF8E7 (...)»;
3. «(...) é preciso exigir responsabilidades políticas ao Governo português pelo seu aviltante comportamento neste processo \uF8E7 o que se tem feito insuficientemente.»

A complexidade do código é tal que a mesma cifra possui, obviamente, diferentes significados, que se revelarão aos iniciados de acordo com o contexto em que se inserem. Coisa para a CIA deitar os olhos, portanto.
Ainda assim, na minha humildade, proponho uma grelha simples, explicativa e naturalmente provisória. Basta substituir o «\uF8E7» pela frase ou adjectivo que se seguem:

1.
a) «sem nos rirmos»
b) «é treta»
c) «foi um frete»
2.
a) «e sionista»
b) «a mando de Israel»
3.
a) «fodido»
b) «em que não meteu prego nem estopa»

Duas adendas finais. Por um lado, insisto na natureza inacabada deste trabalho, que fica desde já aberto a novas sugestões. Por outro, faço notar que todas as frases de todos os artigos do professor obedecem a códigos, como é evidente, por exemplo, no destaque de hoje (edição impressa):

«Por mim, acho que já chega. Não se pode aceitar, sob nenhum pretexto, que o Governo da direita faça das forças de polícia portuguesas uma tropa de opressão e repressão do povo iraquiano para servir os interesses imperiais de quem quer que seja.»

Mas isto qualquer palerma que tenha ouvido falar em Estaline decifra. O «\uF8E7» é que é o diabo.