sexta-feira, setembro 05, 2003

Comunidade

Um leitor, Fortuna, interroga-me:

«Já agora, uma pergunta, se quiser ter a maçada de me responder. Quanto tempo lhe ocupam os Blogues por dia? Esta pergunta deriva da constatação do facto de que na blogosfera toda a gente parece conhecer-se, ou pelo menos conhecer os escritos, de hoje e de outros tempos, dos outros. Ora, isso leva imenso tempo. E depois ainda há o caso daqueles que sendo do Minho ou do Ribatejo falam de outros, do Algarve ou das Beiras como se estivessem todos no mesmo sitio e trocassem constantemente opiniões, etc. e tal. Eu acho curioso porque nunca me tinha apercebido deste imenso fluxo de contactos e desta familiaridade. Dá a impressão de que a blogosfera só veio facilitar práticas de sempre, que já toda a gente se conhecia antes.»

Caro Fortuna, sem maçadas lhe digo que não sei. Passo boa parte dos dias em frente ao computador. Dever de ofício, sabe, que me obriga a escrever isto e aquilo, para aqui e para ali: a revista «técnica» que coordeno (ai), guiões publicitários (ai, ai), crónicas (só o CM), diversos. Pelo meio, de quando em quando e sem aviso, sai um post. Pronto.
Sobre a familiaridade na blogosfera, acrescento que ainda hoje não conheço, ao vivo e a cores, ninguém (tirando o café com o Pedro Mexia de que falei lá para baixo). Mas dou passeios rápidos e regulares pelos blogues de que gosto, que são aliás cada vez mais. Um homem a dias, mesmo não sindicalizado, também tem direito ao lazer.

P.S.: Respondo-lhe em público para suscitar eventuais esclarecimentos dos restantes blogueiros. Se calhar, eles conhecem-se todos mutuamente. Se calhar, vivem de facto em comunidade, isolados numa redoma experimental, a expensas de uma instituição obscura. Por outro lado, coloca-se a hipótese de existirem apenas dois ou três rapazes com centenas de pseudónimos. Não faço ideia.
P.S.(2): A propósito da revista que mencionei, e antes que me tentem difamar, anda por aí uma publicação, «Guia do Automóvel» ou coisa parecida, cujo director se chama Alberto Gonçalves. Não sou eu, e já há processo de usurpação na calha.