terça-feira, setembro 16, 2003

E vou comprar a t-shirt do «Che»

Cansado da polémica Fidel vs. Pinochet, rendo-me. Cuba ganhou. O Fidel, concede-se, é a espaços irritadiço, mas no essencial fez daquilo um modelo de progresso e justiça social. Apesar do embargo - e não do «embargo», como alguns fascistas insistem com fascistóide frequência. Aceito a vitória da revolução. Juro. Respeito o decreto que estabeleceu o carácter eterno do socialismo na ilha. Acredito que os 99% das urnas são a ratificação espontânea de um chefe benévolo e uma realidade feliz.
Nunca estive em Cuba, mas já a sobrevoei a média altitude e, com relativo esforço, pude constatar que as pessoas dançavam nas ruas até desmaiarem de felicidade. Mesmo a grande distância, distingui um grupo de jovens na praia, ocupados em construir uma vistosa jangada para os momentos de lazer. À passagem do avião, os jovens voltaram-se para o alto, e pareceu-me que nos olhavam - a mim e aos demais passageiros da Iberia - com pena, pena dos nossos miseráveis índices de desenvolvimento humano, das nossas listas de espera hospitalar, das nossas taxas de iliteracia, dos nossos carros repugnantemente «modernos», dos nossos constrangimentos sexuais.
Se isto não bastasse, a minha cunhada visitou o país variada e detalhadamente e desembarcou na Portela com o paraíso nos olhos. O facto de ela ser activista da CGTP não teve, estou certo, nada a ver com o assunto: o êxtase não se finge. Ok, finge-se, mas ela não é dessas.