sexta-feira, setembro 26, 2003

Eyeless in Gaza

Por razões diversas, que posso explicar depois, evito discutir o conflito israelo-árabe, muito menos fingindo uma equivalência moral entre ambas as partes que não consigo sentir nem compreender. Mas uma vez não são vezes. Ora bem: o Celso Martins acha que a pública desobediência de 25 oficiais israelitas, que recusaram atacar alvos palestinos, convirá ao processo (?) de paz no Médio Oriente. Se a ideia é o equilíbrio, eu tenho a impressão de que não basta: é preciso esperar que 25 - ou 15, ou 5 - destacados membros do Hamas ou das Brigadas de Al-Aqsa se revoltem contra os ataques a civis indiscriminados em Telavive ou em Jerusalém. O que seria, parafraseio, «um dardo ao coração da sociedade palestiniana e uma grande oportunidade para ultrapassar a lógica do terror que dita todas as suas últimas opções.» Parece-me é que vamos esperar sentados sobre cadáveres. Cá por coisas. Imensas coisas.