terça-feira, setembro 02, 2003

Medalhas de bronze

Com o início do Verão, lá regressa o inevitável complexo dos caucasianos face aos povos do hemisfério Sul. Para o fim do Verão, não se consegue tomar café sem presenciar, na mesa em frente, um concurso de bronzeado. É mais uma tara de mulheres, mas alguns moços deixam-se embrulhar e dispõem-se a estender o braço, para comparações de melanina.
Qual é o interesse em ficar mais escuro, santo Deus? Ou mais claro, já agora? Porque não nos contentamos com aquilo que somos? O que é natural deixou de ser bom? E o lema do restaurador Olex, não nos ensinou nada? É espantoso como os portugueses são profundamente racistas (excepto Torres Couto, ninguém adopta pretos) e, em simultâneo, têm vergonha da sua aparência (que, diga-se, nem é tão nórdica como isso).
A mim, que tenho olhos verdes, mas que num ápice fico tão moreno quanto o Júlio Iglésias, estas ambições malucas passam-me ao lado. Não frequento praias (de dois em dois anos, ponho os pés numa), evito esplanadas sem cobertura e, em suma, detesto apanhar sol de qualquer forma. Além dos resultados serem inestéticos, o Van Gogh endoideceu por menos. A propósito, isto talvez explique uma ou duas coisas.