terça-feira, setembro 23, 2003

É num porto italiano...

O Ricardo Esteves Correia interroga-se sobre o final do «Marco», a série televisiva que marcou uma geração. Caro Ricardo, não o saberei esclarecer acerca da produção japonesa, que para mim foi apenas uma insignificância que sucedeu à «Heidi» (a «Heidi» é que era!). Mas posso assegurá-lo de que, na origem, a odisseia do Marco surgiu em «Cuore», romance do italiano Edmondo d’Amicis. No dia em que terminei a «primária», esse foi o livro que eu e todos os meus colegas recebemos das mãos da professora, a título de prémio.
Com grande pena minha, já não tenho o volume em causa, mas li-o e reli-o o suficiente para me lembrar que narrava um ano lectivo numa escola do sul de Itália, salvo o erro em Nápoles. De x em x capítulos, ou a cada mês da narrativa, o professor contava uma historieta aos rapazes, sempre sobre um qualquer rapaz como eles, sempre reveladora da respectiva coragem. Uma dessas histórias, «Dos Apeninos aos Andes», era justamente a de Marco. Prepare-se agora: se a memória não me trai, quando o menino localiza a mãe, a senhora acabara de morrer. De saudade. E do futuro de Marco nada ficámos a saber. Piegas? «Coração» é um livro piegas, triste e muito, muito bonito. (Há também um filme, com a Cláudia Cardinale em papel «sério», e que se vê sem custo.)