quinta-feira, setembro 11, 2003

O outro 11 de Setembro

Algumas diferenças entre o Chile de Pinochet e a Cuba de Fidel:

1) O número de assassínios (vantagem cubana, dez vezes superior);
2) A duração das ditaduras (vantagem cubana, duas vezes e meio superior - por enquanto);
3) As consequências económicas e sociais (vantagem chilena, não mensurável);
4) A relativa posição dos EUA (empate, a decidir segundo o gosto pessoal);
5) O merchandising (vantagem cubana, sobretudo graças às t-shirts do «Che»);
6) Os líderes depostos (vantagem para Cuba: Baptista, embora tão mentiroso e palerma quanto o sr. dr., não fora eleito);
7) O impulso ao sector naval (vantagem para Cuba, principalmente no que respeita à ancestral arte da construção de jangadas);
8) A hospitalidade (vantagem dos cubanos, que ainda hoje não largam os turistas);
9) A banda-sonora (vantagem para Cuba: até eu, que não aprecio salsa, não comparo Célia Cruz com Victor Jara);
10) O aspecto dos ditadores (vantagem, apesar de tudo, para o Chile);
11) A gastronomia (distanciada vantagem chilena: o Luís Represas nunca abriu um restaurante em Santiago).

A revolução socialista, portanto, dá uma goleada monumental à revolução de direita. Ganhou a melhor, o resultado não deixa margem para dúvidas. Pinochet ficou pelo caminho; Fidel segue em frente. A este nível não se admite hesitações, e os referendos, por exemplo, pagam-se caro. Já se sabe: a prática torcionária é mesmo assim. E não é para qualquer um.