segunda-feira, setembro 01, 2003

O tabaco mata, a UE mói

Por directiva «comunitária», e a partir deste mês, todos os maços de cigarros serão praticamente cobertos por alertas urgentes contra os perigos do tabaco. Como eu fumo Camel, uma das marcas que se antecipou à medida (suponho que por razões «estratégicas»), já me vou habituando à ideia. E estou a adorar. Nada melhor do que ser enxovalhado em público à conta dos meus prazeres quotidianos. É maravilhoso, por exemplo, constatar a expressão do rapaz do quiosque, quando me acaba de vender uma substância que garante (em tipo tamanho 72) reduzir a minha quantidade de esperma. Ou, no restaurante, espreitar de esguelha a senhora da mesa ao lado, que fita desdenhosa o meu próprio anúncio necrológico.
Obviamente, o rapaz do quiosque e a senhora do restaurante, dado não fumarem, são muito sadios e nunca morrerão. Ante esta perspectiva de uma vida eterna e eternamente aborrecida, há que providenciar-lhes ligeiros gozos. A humilhação dos fumadores é um deles, em que eu não me importo de participar. Afinal, para quem fuma dezenas de cigarros por dia, a vida é curta, e uma boa acção aqui ou ali não fará mal nenhum. É até saudável.