quarta-feira, setembro 24, 2003

Punch-Drunk Sandler

Dizem-me que chegou aos clubes de vídeo o «Punch-Drunk Love». Talvez venha a escrever mais demoradamente sobre a fita. Agora limito-me a proclamar que em 2003 não vi filme que lhe chegasse aos calcanhares - e só não é o meu favorito deste incipiente século porque «Ghost World», naturalmente, não deixa.
Não sei é se «Punch-Drunk Love» vale por si ou pela interpretação genial de Adam Sandler, que a crítica (não apenas a nossa) julgou ser mérito do P. T. Anderson, tipo Tarantino-ensina-Travolta-e-o-imbecil-até-se-safa. Tudo bem: cada um engole os Malkoviches e os Hopkins que lhe aprouver, e a separação entre «actores» e «comediantes» é, no mínimo, engraçada. Mas, como dizia o Jerry Seinfeld em lendária entrevista à Vanity Fair, qualquer Greg Kinnear salta da stand-up comedy para um filme e envergonha o Jack Nicholson (embora, calminha, a stand-up não seja o «Levanta-te e Ri»: com o Fernando Rocha e afins, nós é que saímos envergonhados).