quarta-feira, setembro 24, 2003

Safa!

Dadas as circunstâncias da insularidade, andei uns dias com os jornais em falta. Por isso cheguei um nadinha atrasado à polémica que o Intermitente e o Comprometido Espectador - pelo menos - comentam. Mas cheguei com a vantagem da experiência: há uns meses, no CM, eu próprio identifiquei, sem excepção, as organizações de homossexuais com o BE e, em troca, recebi uma carta (justamente) indignada do sr. António Serzedelo, presidente da Opus Gay, que me esclareceu acerca das trapalhadas que a recorrente confusão tem suscitado. Depressa o incidente ficou, como se diz, sanado: o sr. Serzedelo sabe que eu não gosto de grupos de pressão e eu sei que ele não gosta das manipulações do BE. Óptimo.
Ontem, porém, o sr. Serzedelo voltou a escrever-me com as actualizações do caso e, embora agradecendo a atenção, hesito em opinar. A não ser para insistir no que reconheci da primeira vez: se é verdade que 10% dos portugueses adultos são gays, no mínimo dois terços dos gays não votam BE (abstenção à parte). E isto considerando que todos os eleitores do BE são gays. Como até esta interpretação será, talvez, abusiva, é lícito supor que os grupos, grupelhos e aparentados que o BE cultiva no meio sejam apenas representativos de umas dúzias de gatos pingados, que se procriam (sem trocadilho) de modo a parecerem imensos. Vistas bem as coisas, a dona Fabíola, chefe do Safo, é capaz de representar somente a dona Fabíola. E mesmo assim, diz quem já viu e ouviu a senhora, a custo.