segunda-feira, outubro 06, 2003

A filha e o enteado

Em Maio de 2002, o Estado português adoptou oficialmente o sr. Anan Tanjeh, membro das Brigadas de Al-Aqsa e um dos invasores da igreja da Natividade, em Belém (lembram-se?). Na altura, e pelo menos em termos públicos, foi o dr. Martins da Cruz a assumir o lindo gesto, que justificou com base em «razões humanitárias». Na altura, e pelo menos em termos públicos, ninguém condenou tais razões, ninguém pediu a cabeça do dr. Martins da Cruz, e poucos estranharam sequer a extraordinária interpretação do conceito de «terrorismo» elaborada pelo nosso MNE. Este humanitário consenso valeu ao sr. Tanjeh, desde o início da sua temporada entre nós, beneficiar do apoio da Cruz Vermelha, de livre circulação e de «protecção especial» - o que é o mínimo que um mercenário pode esperar.
Hoje, eu francamente ignoro o destino do sr. Tanjeh. Mas, caso continue por cá, gostaria imenso que o descobrissem numa faculdade de Medicina, inscrito mediante regime excepcional e despacho. Talvez assim, finalmente, houvesse motivo para devolver o sujeito à procedência e demitir um ministro que, mais do que representar o País, envergonha-o.