sábado, outubro 04, 2003

Génio feliz

E a Rosie Thomas passou pelo Porto. Não sei se as minhas prévias e continuadas referências ao concerto mobilizaram algum elemento da comunidade bloguística. É que, por incrível que pareça, os blogueiros ainda não se distinguem dos outros mortais a olho nu.
Quanto à Rosie propriamente dita, distingue-se com facilidade: é uma coisinha pequenina e risonha, que usa a voz do Pato Donald para falar e a da Cristal Gayle para cantar. Se fala, serve-se do nonsense «infantil» à Andy Kaufman («Eu sempre mudei de roupa interior a cada três dias, até me dizerem que não era normal. Weird, Rosie. Ih, ih, ih.»). Se canta, arrepia a espinha. E ontem cantou os dois álbuns quase na íntegra, incluindo algumas da melhores canções que têm visitado estes ouvidos («Bicycle Tricycle» ou «Two Dollar Shoes», por exemplo).
Óbices? O calor no apinhado bar «O Meu Mercedes...»; o idiota ao meu lado que sabia as letras todas de cor e fazia questão em demonstrá-lo; a ausência da banda de acompanhamento.
Mesmo assim, não houve baixas a lamentar. Entre os grandes autores de música pop actual (também não são muitos), Rosie Thomas é dos raros cuja obra, passe a discreta (mas óbvia) melancolia, induz um sentimento de felicidade. Tão feliz eu estava que me decidi - caso inédito - pedir um autógrafo à menina. De brinde, ganhei um minuto de conversa e dois beijinhos. Não fui às cegas: logo no início do espectáculo, a Rosie proclamara que gosta de beijar e abraçar as pessoas - apetência que, na América, ela considera mal compreendida. Pobres americanos.