segunda-feira, outubro 13, 2003

A importância do Outro

Julgo que a reacção aos tais manuais do 10º ano tem sido excessiva. O regulamento do «Big Brother», por exemplo, pareceu-me um texto conciso, correcto e razoavelmente perceptível. O que é muito mais do que se pode dizer de boa parte da literatura portuguesa contemporânea. E quanto ao «Testenovela», também não vi motivos para a irrisão demonstrada. Qualquer palerma sabe quem é o autor de «Aparição» ou o número de cantos d’«Os Lusíadas». Mas eu próprio, que não me considero um ignorante terminal, ignoro se, na novela «Tentação», Marco António é atraiçoado por Gracinha, Renata ou Raquel. E tenho pena. Sugerir a irrelevância de conhecimentos assim é menosprezar o contributo da antropologia clássica: se, há oitenta anos, a sra. Mead mostrou o quanto podíamos aprender com os selvagens de Samoa, seria estúpido fingir, hoje, que os selvagens da Brandoa nada têm a ensinar-nos.