segunda-feira, novembro 24, 2003

À atenção do PE

Tal como o Francisco José Viegas, também não sei o que pensar do aviso do rabinato de Paris sobre o uso do kippah. Regra geral, quando os judeus começam a esconder-se, é porque não falta quem queira revelá-los. Pelos piores motivos.
Lembro, contudo, um pormenor. Hoje discute-se imenso a inclusão da matriz judaico-cristã numa eventual constituição europeia - uma medida naturalmente polémica e obviamente tonta, como explica o essencial Rua da Judiaria. Coerente seria incluir o anti-semitismo no documento: uma pessoa olha para a Europa ao longo dos séculos e, tirando justamente raras e precárias excepções, dificilmente descobre elemento tão constante da respectiva ‘estrutura’. Por um lado, satisfar-se-ia boa parte da esquerda 'antiglobalização' e da direita 'habitual', evitando polémicas estéreis.
Por outro, salvo a ocasional Holanda, os dois únicos países da História em que a presença significativa de judeus jamais desencadeou perseguições mais ou menos ‘oficiais’ foram (são) os EUA e Israel. Que não são europeus e que constituem, como a Europa sabe, a maior ameaça à paz mundial. Uma constituição a sério não só tem de preservar as raízes da identidade europeia, mas defendê-la contra os perigos que a põem em causa. É complicado? Dá trabalho? Arbeit macht frei, pessoal.