segunda-feira, novembro 03, 2003

Mãe só há poucas

Depois de apurada investigação no terreno (perguntei a dois sujeitos), descobri (a sério) que as lendárias Mães de Bragança afinal não passam de um punhado de prostitutas indígenas - apologistas dos métodos caseiros e artesanais - muito preocupadas com a concorrência das grandes superfícies. Ora isto muda radicalmente a perspectiva sobre a questão que a «Time» levou à capa. Deixamos de estar perante uma nebulosa questão moral, para entrarmos num caso típico de mera resistência ao mercado, com um bocadinho de publicidade enganosa à mistura.
À semelhança, por exemplo, do que sucede na guerra das pescas, o trabalhador português reage mal à eficácia estrangeira, que se permite ampliar a oferta de modo a pulverizar o produto final. Para cúmulo, o consumidor sai também largamente beneficiado em matéria de diversidade, fruto das importações directas aos grandes produtores do ramo, como o Brasil e a Ucrânia. O costume, enfim: os nossos recursos humanos fogem da modernização a sete pés e em seguida correm a inventar palermices e a culpar o capitalismo pelas desditas.
Em seu favor, e ao contrário da generalidade das restantes actividades económicas, as «Mães» de Bragança apenas podem argumentar que, no ramo em que se inserem e sem trocadilhos, não beneficiaram de fundos suficientes. Mas que diabos querem elas agora? Olhem, saúde e bichas.