terça-feira, novembro 18, 2003

Sinais de fumo

A Guidinha não sabe de nada: ele há mesmo coincidências. Ontem, o João referiu-se aos Monty Python e eu também. Hoje, o João fala do Dia do Não Fumador e eu já perdi a conta aos cigarros que acendi, numa evocação deliberada das maravilhas que me escapam por não pertencer àquele virtuoso grupo. De resto, o dia está propício a comemorações. Acordo às nove com o café que a minha dadivosa senhora me estende, enxoto as cadelas que entretanto haviam acampado na cama e inauguro a longuíssima série de Camel quotidianos (Gainsbourg contava a história do sujeito cujo cão o ignorara a partir do momento em que ele, o sujeito, deixara de fumar). Chego-me à janela. Faz sol, como eu gosto; faz frio, como eu gosto. À esquerda, as torres da Petrogal indicam ligeiro vento sudeste (a geada islâmica). Em frente, o mar está sereno, propício a surfistas nacionais. Meia hora decorrida, estou no rotineiro posto de gasolina, com jornais, nata, novo café e novo cigarro. Mais meia hora, eis-me no escritório, sujeito à brutal observação dos e-mails, que força um cigarro. Em seguida, telefonemas deprimentes, que não dispensam um cigarro. Depois, nova ida ao café, para leitura aprofundada sobre o doutoramento de Derrida e os malefícios do tabaco. Dois cigarros. Agora, a redacção de um texto (carácter profissional - um cigarro) e deste post (caráter ocioso - outro cigarro). É quase meio dia. Dia do Não Fumador, dos não fumadores. Ainda bem. Que tenham muita saúde. E amigos também.