segunda-feira, novembro 10, 2003

Uma boa causa

Que o Carlos Abreu Amorim (um grande abraço) me perdoe, mas, como outro Carlos resumiu com propriedade, o dr. Manuel Monteiro não existe, pelo que escrever sobre o moço arrisca-se a ser um exercício no vazio. Infelizmente, para uma nulidade ontológica, o dr. Monteiro possui a singular capacidade de incomodar o próximo. Não é aquele incómodo a que se referem os treinadores da bola (tipo ‘o Estrela da Amadora está a incomodar muita gente, por isso as arbitragens têm sido esta vergonha’). Trata-se do incómodo mais literal, à semelhança do provocado por um gato no cio, ou pelos discos da Dulce Pontes. Tudo, no dr. Monteiro, irrita: os discursos, o penteado, os ‘argumentos’, os fatos, os gestos descritos pelas mãozinhas. Como agravante, o dr. Monteiro tem surgido na televisão com uma frequência muito superior à dos gatos ou da Dulce. Sem querer ser pessimista, temo que, à medida que as ‘europeias’ e as ‘autárquicas’ e as legislativas e as ‘presidenciais’ se aproximem, ele ainda surja mais amiúde, mais enjoativo, mais dr. Monteiro. Donde proponho uma medida drástica: à primeira oportunidade, votamos em peso no homem e enviámo-lo para Estrasburgo. Isto, claro, se ele se comprometer, com assinatura reconhecida, a não regressar. Se o problema é emprego, arranja-se um emprego, mediante inédita cunha colectiva. Mas depois ele que não nos venha pedir mais nada.