segunda-feira, dezembro 01, 2003

Comunicado

A Susana Costa escreve palavras simpáticas sobre o Homem a Dias e deixa implícita a incontornável questão: estarei eu a pensar retirar-me (da blogosfera)? Deixo duas respostas: a oficiosa, para efeitos de publicação e reprodução mediática; e a pessoal, que, se instado a comentá-la em público, à saída do Diap ou onde calhar, negarei de imediato.

Resposta oficiosa:

Cara Susana,
dirigindo-me a si na qualidade de blogueiro, em boa verdade confesso-lhe certo cansaço. Blogar todos os dias é uma tarefa que exige amplo esforço e funda dedicação. Só dessa forma se mobilizam as vontades capazes de imaginar, produzir, realizar e levar até si o Homem a Dias, por exemplo.
Não nego, obviamente, que criei o blogue imbuído de um forte espírito de missão [N. R.: missa muito longa], ciente dos encargos que o mesmo acarretaria à minha vida profissional e, direi mesmo, privada. De igual modo, também não nego que essa dedicação missionária permanece bem presente, pese todos os sacrifícios, injustiças e obstáculos que a Susana com certeza supõe, e que, diariamente, temos de ultrapassar. Num País que não reconhece com devida justiça a labuta dos seus mais pródigos filhos - e aqui falo-lhe na qualidade de cidadão -, tal luta afigura-se-me uma tarefa duplamente árdua, contra ventos e marés, chuviscos e trovões.
Todavia, e agora volto a pronunciar-me na qualidade de blogueiro, ‘nunca’ é palavra ausente no dicionário blogosférico. Pelo que me recuso a proclamar, definitivo, que o Homem a Dias pode acabar em breve. Ou que não pode. Prefiro deixar que o tempo, esse sábio ourives [N.R.: escultor] decida que destino dar a um blogue que os internautas, na sua esmagadora minoria, souberam acarinhar e consagrar. Aguardo, pois, uma vaga de fundo. Quanto ao sentido da vaga - introduzo a minha qualidade de sociólogo - não mo pergunte, cara Susana, que os desígnios das massas são da ordem do insondável.


Resposta pessoal:

Cara Susana,
Quem lhe sugeriu que o Homem a Dias ia acabar? Que eu saiba, não vai. Beijinhos.