quarta-feira, janeiro 21, 2004

Cara-metade, cérebro idem

Mas celebrar o Poeta Castrado (Não!) é só um exemplo da lusitana folia. Graças à blogosfera, vide o Matamouros, fiquei retroactivamente informado da crónica do sr. Miguel S. Tavares, que enfim trouxe para a análise política os prodigiosos achados de Lombroso na psicologia. Refiro-me, como os iniciados terão percebido, ao método da Contemplação da Tromba (CT).
Claro que a execução eficaz da CT exige-nos, à partida, um domínio quase cabalístico de conceitos, teorias gerais, teorias auxiliares e etc. Ou seja, não é para todos. Felizmente, é para o sr. Tavares - e dessa forma a sumidade, num ápice, apreende toda a Verdade sobre o terrorismo internacional ou o maquiavélico, embora simplório, carácter de George Bush. O sr. Tavares olha para a cara de Bush, e zás!, eis que desaba a hipocrisia do governo americano. O sr. Tavares fita Bin Laden, e pimba!, onde um leigo só vê moscas, barba e sujidade, ele descobre um génio arrebatador.
Em benefício das minhas pobres crónicas e da sociologia portuguesa, eu dava um bracinho para aceder à sabedoria do sr. Tavares, mas suspeito estar muito verde para uma CT em condições. A título de teste, experimentei contemplar a tromba do próprio sr. Tavares. Não fui a lado nenhum. Arriscando sujeitar-me à galhofa colectiva, confesso que apenas vi um sujeito de meia-idade, de aspecto sensato, provavelmente alfabetizado e, talvez, razoavelmente culto.
Pronto, gozem à vontade: foi o que me pareceu, que querem? Eu avisei que a CT dá um trabalhão dos diabos, e que tentar aplicá-la sem fundos conhecimentos descamba na anedota. Estava na cara.