sexta-feira, janeiro 23, 2004

Greatest show on earth

John Ford (o realizador) chamava à greve um ‘socialist nonsense’. ‘Nonsense’ dele: para mim, dia de greve geral é dia de festa. Agora que os circos entraram em definitivo declínio, haverá melhor espectáculo que as habilidades dos sindicalistas com os ‘números da adesão’? Quem não aprecia ver um bom delegado da CGTP, invariavelmente de ‘kispo’, afirmar que a ‘greve no ensino é um enorme sucesso, como aliás se comprova pelo encerramento da EB 2/3 nº 235 do Barreiro’?
Apenas acho que a greve pode ter um efeito pernicioso para os funcionários públicos. Tirando, para quem precisa, os comboios e autocarros, o cidadão médio chega ao fim de um dia da ‘Geral’ e não dá pela falta de nada. Fechou um centro de saúde, dez tribunais, cem liceus? E quando estão abertos, nota-se a diferença? Um Governo a sério tiraria daqui as devidas conclusões: quando os sindicatos anunciassem, todos pândegos, que a adesão à greve rondara os 92,45% de ‘trabalhadores’, o Estado deveria sentir-se autorizado a despedir 92,45% dos respectivos funcionários, mais ronda menos ronda.
Caso contrário, e citando 92,45% dos pensionistas idosos, isto assim não vai a lado nenhum - mas nós divertimo-nos à grande.