sexta-feira, janeiro 23, 2004

Vã glória

Há duas ou três semanas, participei no ‘Livro Aberto’, o óptimo programa televisivo do Francisco, a fim de discutir as ‘bolsas de criação literária’. Devido ao meu vasto talento oratório, acendi uma velinha para que ninguém reparasse na emissão em causa, apesar das inúmeras vezes que a NTV e a RTP a repetem. Ao fim de uma semana de repetições e de velinhas, a prece parecia ter resultado, já que nenhuma criatura, fora de um restrito e compreensivo círculo, mencionou o assunto. Infelizmente, por estes dias, alguém se terá lembrado de retransmitir a coisa: ontem, o casal Quevedo, toldado pela habitual simpatia, deu-me os parabéns (!), e hoje, a empregada de um café confessou, entre risinhos tontos, que me havia ‘visto na televisão’.
Quer dizer, pelos vistos tornei-me uma espécie de celebridade menor - tipo uma Rute Marlene ou uma Janita Salomé. Pelos vistos, e sem que o Francisco e os demais intervenientes no dito ‘Livro Aberto’ nisso tenham qualquer responsabilidade, pelas piores razões - tipo uma Rute Marlene ou uma Janita Salomé. As velas já foram para o lixo.