quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Duas palavrinhas

O Comité Internacional da Cruz Vermelha está preocupado com o impacto do Muro da Cisjordânia na vida de muitos ‘palestinianos’. Talvez o Muro os impeça de desenvolver livremente os passatempos que tanto apreciam e isso naturalmente aborreça a Cruz Vermelha, não sei. O ponto não é esse. Interessante é que a opinião da Cruz Vermelha acerca de muros e fortificações é algo volátil.
Em finais de 1943, uma delegação dessa estimada instituição visitou o gueto de Terezin, 60 km a norte de Praga. Por Terezin, um entreposto no caminho para Auschwitz, passaram cerca de 155 mil prisioneiros, quase todos judeus, vindos do protectorado da Boémia e Morávia, da Áustria e da Alemanha, da Eslováquia, da Holanda e da Hungria (etc.). 35 mil morreram antes da deportação para Leste; 83 mil morreram depois.
Uma sessão de cosmética - prévia à visita mas que não ocultou as paredes dos fuzilamentos, os crematórios e os (tentados) pedidos de auxílio dos detidos -, chegou para convencer os representantes da Cruz Vermelha de que, passe as ‘dificuldades inerentes à guerra’, os judeus de Terezin eram ‘dignamente tratados’.
A profundidade de análise, de que aqui se lembra um mero exemplo entre o vasto e nobre currículo da Cruz Vermelha, apenas surpreende quem não reparar no nome. São duas palavrinhas. São só duas palavrinhas.