segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Haja decência

Não gostava do último modelo do «Flashback» como não gosto da «Quadratura do Círculo»: dos quatro vértices, apenas dois não enervam - e um deles, sendo moderador, não conta. Ou seja, salva-se Pacheco Pereira, cujas opiniões, de resto, podem ser encontradas em inúmeros lugares sem as interrupções descabidas do Doce Inquisidor ou de António Lobo Xanax.
E, talvez por contágio, mesmo JPP chega a perder o norte: este fim-de-semana, por exemplo, revelou a um país incrédulo que, para lá de Badajoz, ninguém sequer vagamente considera a candidatura do dr. Vitorino à presidência da Comissão Europeia. Claro que é verdade, mas, enquanto o pau vai e vem, há um povo que se inebria ante a eventualidade de um homem que não conhecem ocupar um cargo que mal sabem que existe ou para que serve. Os nossos média, conscienciosos, têm alimentado esta ilusão, a título de antídoto para a popular depressão nacional. Ao desmontar a profilática farsa, JPP acrescenta nova cavadela ao fundo poço em que os portugueses se encontram. Havia necessidade? Depois disto, e antes que nos desatemos a suicidar em massa feito lemingues, só falta o dr. Carrilho desmentir a paternidade de uma criança que anda aí pelas manchetes, e que tanta alegria nos trouxe.