terça-feira, fevereiro 03, 2004

O velho Francisco

Como agora se diz, é assim: gosto que me enrosco dos discos antigos do Chico Buarque; não gostei nada do primeiro romance, «Estorvo» e nem peguei no segundo, «Benjamim». Se quis ler «Budapeste» com urgência foi porque regressara de Budapeste há dias (não, o Abrupto é mais a Leste) e procurava afinidades geográficas. Só que, em «Budapeste», não há geografia (a não ser a interior e blá, blá, blá), mas apenas - e aqui vai uma séria candidata à frase mais palerma deste blogue - um homem que abraça uma língua estranha para se esquecer de si, com jogo de espelhos e laivos de Borges à mistura. Não importa. Importa não se deixarem enganar: apesar de Saramago garantir que o livro é bom, o livro é bom.