sexta-feira, março 12, 2004

Canção para a Europa, legado ao mundo

Para homenagear (?)Thilo Krassman, ontem falecido, a RTP exibiu esta madrugada «Uma Cantiga para a Europa». Ou seja o festival da canção de 1976, enriquecido pelas circunstâncias da época. As cantigas, numa óbvia cedência ao pluralismo libertário, eram todas interpretadas por Carlos do Carmo. Pelo meio, Vitorino d’Almeida, o apresentador de serviço, convidava o público presente (ao que percebi, músicos e autores) a discutir os méritos de cada tema acabado de escutar. Não sei descrever tamanho gozo. Digo apenas que entre a audiência havia quem insistisse que se devia debater até que ponto uma canção é não revolucionária; que o maestro/apresentador enxovalhou ao piano praticamente todas os compositores; que Manuel Alegre e Ary dos Santos declamaram "poemas" interrompendo as célebres «Flor de Verde Pinho» e «Estrela da Tarde»; que as cabeleiras ostentadas hoje são vistas em museus e que o programa acabou aí pelas cinco da manhã. E depois? Eu tenho vários dvd do Andy Kaufman mas, em matéria de humor, o Portugal pós-revolucionário não é comparável com nada, nada, nada deste mundo.