segunda-feira, março 29, 2004

Os malefícios da saúde

Conheço apenas uma dúzia de países e, ao contrário da União Europeia, não vejo grandes possibilidades de alargamento. Enquanto democrata e fumador, tenho duas regras de viagem: não visito ditaduras nem lugares com leis (demasiado) cretinas. Infringi a primeira regra uma única (e espero que última) vez. A segunda tem adiado ad infinitum uma ida aos Estados Unidos e, ao que parece, a partir de hoje inviabilizará o regresso à Irlanda. É pena: nunca experimentei um despertar tão feliz - é o termo - quanto em Galway, defronte para a baía, com um Camel nos pulmões e a chávena de café no parapeito da janela. Dez meses separam essa manhã desta opressão consentida, que não suscita manifestações ou vigílias.
Fica a cantiga, cantada entre fumo pelos frequentadores do pub de Cong, no miraculoso «The Quiet Man», que agora me apetece considerar o filme mais belo de sempre. E, dadas as circunstâncias, o mais nostálgico também. Silêncio, por favor:

«If you ever go across the sea to Ireland
Then maybe at the closing of your day
You will sit and watch the moon rise over Claddagh
And see the sun go down on Galway Bay»

Eu sei que trata do crepúsculo, e não do despertar. Nada mais exacto, aliás.