sexta-feira, julho 09, 2004

O outro mundo é preferível

Num único dia, um sujeito é despedido, perde a mulher, é informado de que sofre de cancro, fica sem o Fiat por causa de um atraso no ald, descobre que lhe roubaram a casa e confirma n’“A Bola” a lista de contratações do Benfica.
O sujeito pensa numa solução sacrificial. Suicídio? Possível, mas demasiado frívolo para tanta desgraça. Uma tese de doutoramento sobre a obra de Fernando Dacosta, o homem-microfone? Não exageremos. A alternativa solene, cruel e devidamente adequada às circunstâncias passa por uma inscrição no (rufar de tambores) Acampamento de Jovens do Bloco de Esquerda.
É isso aí, minha gente: “4 dias e 5 noites de festas, debates, conferências, workshops, muito convívio e partilha de ideias, projectos e experiências. Este acampamento está aberto a tod@s, quer estejam inscritos no Bloco ou sejam simplesmente simpatizantes.” Eu só não percebi se esta pândega, inspirada nos acampamentos do Hamas, custa 70 euros, ou se 70 euros é o que o Bloco paga aos participantes. Em qualquer dos casos, acho pouco.