segunda-feira, janeiro 03, 2005

Pelo menos a desgraça na Ásia serviu para:

a) Fingir que se descobriu que Portugal não está preparado para uma coisa assim;

b) Culpar o Santana;

c) Preencher centenas de horas televisivas com o “horror” (exprimir sensibilidade ao proclamar o “horror”);

d) Criticar os EUA por serem responsáveis pelo segundo maior contributo às vítimas;

e) Mostrar um plano do porta-aviões Abraham Lincoln e referir, em off, que “por uma vez” o dito “está envolvido numa acção pacífica”;

f) Entrevistar turistas nacionais que se queixam da “falta de ajuda” da nossa diplomacia;

g) Culpar o Santana;

h) Atacar a globalização, que mantém dois terços do mundo em estrepitosa miséria;

i) Não se referir os tirânicos governos da estrepitosa miséria, que evitaram eventuais alertas para não espantarem o turismo;

j) Não se questionar as opções turísticas de inúmeros ocidentais, que financiam déspotas e bronzeiam a barriga entre populações famintas e semi-escravizadas;

k) Sugerir que as populações são famintas e semi-escravizadas por causa dos EUA, dê por onde der;

l) Ouvir repórteres repetirem a palavra “tsunami” até que as línguas sangrassem, e sempre com um prazer inaugural;

m) Exibir o que faz aquele tipo da AMI quando não se encontra a babar ódio sobre Israel;

n) Insuflar de esperança os hoteleiros algarvios;

o) Sentirmo-nos genuína, visceral e momentaneamente solidários;

p) Culpar o Santana.