sexta-feira, setembro 16, 2005

Um senhor

Após o debate, a Sic Notícias transmitiu, à socapa, o momento em que os dois candidatos a Lisboa se despediram. Ou melhor, em que se tentaram despedir, já que a mão estendida por Carmona Rodrigues ficou assim a modos que suspensa no ar, sem resposta do membro equivalente do professor doutor Carrilho, que entretanto, de zangadinho, virou costas e sumiu com uma pilha de papéis sob o braço e uma pilha de cabelo sobre a cabeça. Carmona, espantado e julgo que divertido, olhou o entrevistador e comentou: “Não me cumprimentou. É extraordinário."
Extraordinário é favor. Foi, como sói dizer-se, um precioso instante televisivo. Sempre soubemos que o professor doutor era professor doutor, filósofo, amigo de EPC, moderno, cosmopolita, marido daquela senhora que comenta dez livros/dia, ousado, irreverente e pai do Não Sei Quantos. Agora, somos também informados de que o homem é sincero e, ao contrário da maioria, não finge perante as câmaras: ele parece uma criaturinha desagradável e é uma criaturinha desagradável.
PS: No Blasfémias, afirma-se que Carmona terá dito "Grande ordinário" em vez de "É extraordinário." Se calhar, ouvi mal (ai, que a idade pesa). Não importa. Vai dar ao mesmo. "Superordinário" também serviria. Ou "rasca", muito rasca.
PS2: Revi as imagens. Afinal, Carmona diz ambas as coisas: "extraordinário" e "grande ordinário". E nós dizemos com ele.