quinta-feira, dezembro 14, 2006

Trailers da semana

"Nas suas popularíssimas memórias, a senhora Carolina Salgado revela que se apaixonou por Pinto da Costa enquanto dançavam ao som de Sting. Por mim, desconfio que, mais do que o facto de se terem conhecido numa casa de alterne, esse foi o principal motivo para a relação terminar como terminou, entre fugas da polícia, tabefes, jagunços, ameaças de morte e péssimas autobiografias. (...)"

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"(...) O problema, sabem, é que eu gostava do dr. Soares. Ao contrário de boa parte da direita, que decidira odiá-lo pela descolonização ou simplesmente por imperativo partidário, eu preferia atribuir-lhe as lutas “boas” do PREC e o contributo para a democracia possível. Agora, porém, começo a duvidar se a resistência ao comunismo foi uma convicção ou uma inevitável estratégia de poder, e se o Soares real é o democrata ou o bajulador de pretensos e consumados tiranetes. (...)"

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"Apesar de alguma propaganda “imperialista” e algum desconhecimento puro, o fascinante Irão não é só aiatolas, enriquecimento de urânio, repressão, apedrejamentos de mulheres, mutilações corporais, escravatura, execuções de homossexuais e tapetes vistosos. Também é um espaço aberto à reflexão histórica, o que se comprova no congresso “Revisão do Holocausto: Visão Global”, que reuniu ontem e hoje “especialistas” de 30 nações para debater o referido tema. Debater à maneira local, claro: metade dos participantes acha o Holocausto um mito; a metade restante considera-o uma fraude. (...)"

"(...) o que sobra de “Eu, Carolina”? Sobra uma ou outra matéria de investigação, o ressentimento da autora, e um pretexto para o dr. Ricardo Bexiga anunciar anteontem a “promiscuidade” entre a política e o futebol. O dr. Bexiga, note-se, é orgulhoso membro (e ex-deputado) do PS, cujos representantes nacionais costumam fugir do Parlamento para acorrer aos jogos do FCP e louvar Pinto da Costa. Como refere uma personagem do livro, o dr. Bexiga ficou a falar. Mas não diz nada de novo."